Qual é o melhor contratipo?

Depende do perfume que você procura e do que valoriza ao usá-lo. Um bom perfume inspirado precisa ter uma direção olfativa reconhecível, uma composição equilibrada e uma experiência agradável na pele. Como perfumista, explico abaixo como avaliamos esses pontos e quais escolhas fazemos na Orsiliz Parfums.

1. A escolha das casas de fragrâncias

Tudo começa com a busca por bons fornecedores. Para cada perfume que desejo lançar na Orsiliz, procuro solicitar amostras a pelo menos três casas de fragrâncias. Como trabalhei nessa indústria, normalmente busco casas cujo trabalho já conheço e, sempre que possível, com as quais mantenho contato direto.

Cada casa terá sua própria fórmula para um perfume inspirado. Por isso, é importante solicitar amostras da mesma inspiração a diferentes fornecedores e compará-las.

Há também uma escolha que faço com base na minha experiência no mercado: quando uma casa desenvolve a fórmula original de um perfume que se torna um best-seller, ela não oferece a terceiros a mesma fórmula nem uma versão suficientemente próxima. Se buscamos um contratipo com alta similaridade, a amostra dessa casa não costuma atender ao nosso objetivo. Nesse caso, não vale a pena solicitá-la.

2. A similaridade com o perfume original

Nosso processo interno começa pela escolha dos perfumes que queremos lançar. Damos prioridade aos lançamentos que muitas pessoas desejam ter, a alguns clássicos e também a perfumes de que gostamos e acreditamos que farão sucesso, mesmo quando ainda são pouco conhecidos.

Um exemplo é o Mountain, nosso inspirado no Moncler pour Homme, da Moncler. É um perfume de que gosto muito e sobre o qual vejo pouca gente falando. Também não costumo encontrá-lo entre os lançamentos de outras perfumarias. Decidimos incluí-lo no catálogo e ele tem feito sucesso com nossos clientes.

Depois de escolher os perfumes, solicitamos às casas de fragrâncias amostras das respectivas inspirações e informamos o custo pretendido para o projeto. Quando as amostras chegam, preparamos os testes diluindo as fragrâncias em álcool a 20%. Essa é a faixa que utilizamos para um Eau de Parfum, conforme explico no nosso Glossário.

Aguardamos alguns dias antes de avaliar os testes. Esse período de maceração permite observar a fragrância após sua mistura com o álcool e perceber melhor seu desenvolvimento olfativo.

Na avaliação, a similaridade é o critério mais importante. Comparamos a amostra com o perfume original em todas as fases: saída, corpo e fundo. Se ela não corresponde à direção olfativa que buscamos, é desclassificada antes de passar pelos demais critérios. Já houve perfume para o qual só batemos o martelo na sexta casa de fragrâncias consultada: as cinco propostas anteriores não atingiram o nível de similaridade que exigimos.

3. A projeção

Depois da similaridade, avaliamos a projeção: a capacidade de o perfume ser percebido por outras pessoas ao redor de quem o usa.

Buscamos uma projeção coerente com o perfil da fragrância. Durante essa etapa, uso minha experiência como perfumista na indústria para comparar as amostras e decidir quais merecem seguir no processo.

4. A fixação 

Também avaliamos a fixação, ou tenacidade: por quanto tempo o perfume permanece perceptível na pele.

Se uma amostra é similar ao original, mas sua projeção ou fixação fica abaixo do que esperamos, fazemos um novo teste com a fragrância a 25%. Na classificação que adoto em meu Glossário, essa concentração corresponde a um Extrait de Parfum. Então avaliamos o perfume novamente, pois a mudança de concentração também pode alterar seu equilíbrio olfativo.

Uma coisa que sempre digo é: quero que nossos inspirados ofereçam uma experiência igual ou melhor que a dos perfumes que nos serviram de referência. Nunca abaixo do padrão que buscamos para a Orsiliz.

5. O aspecto visual

Além da avaliação olfativa, fazemos uma análise visual das amostras. Observamos impurezas, turbidez e possíveis alterações de cor após alguns dias.

Algumas mudanças de coloração podem ocorrer em razão das matérias-primas utilizadas, especialmente em perfumes cítricos, especiados e gourmands. Por isso, analisamos cada caso antes de decidir se a amostra está dentro do padrão esperado.

6. A consistência até o perfume pronto

Após a aprovação, identificamos e guardamos as amostras para futuras comparações olfativas e visuais. Em seguida, encomendamos as fragrâncias às casas selecionadas.

Quando elas chegam, repetimos a análise visual e olfativa, comparando cada fragrância recebida com sua amostra aprovada. Se houver uma diferença incompatível com o padrão escolhido, investigamos o que ocorreu e solicitamos a correção antes de seguir.

Estando tudo certo, a fragrância passa pelo processo de maturação, descrito em nosso Glossário. Depois, é diluída na concentração definida nos testes — 20% ou 25% — e o perfume é deixado para macerar. Após a maceração, ele é resfriado e filtrado. Esse processo de resfriamento é chamado de glaçage.

Por fim, os perfumes são envasados em frascos previamente higienizados, rotulados e embalados.

Espero que você tenha aprendido um pouco sobre como desenvolvemos nossos perfumes. Na hora de escolher um contratipo, considere não apenas a semelhança nos primeiros minutos, mas toda a experiência: a evolução da fragrância, sua projeção, sua fixação e o cuidado empregado até o produto chegar às suas mãos.

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Por Pablo Lizárraga  

Perfumista — Orsiliz Parfums  

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