A palavra musk provavelmente deriva do sânscrito muska (“escroto”, referência à bolsa de almíscar em forma de saco), do persa mushk, do grego moshkos, passando depois ao latim muscus e ao francês antigo musc. O cervo-almiscareiro (Moschus moschiferus) vive nas montanhas do Tibete e China, além de regiões da Ásia Central, Sibéria e Himalaia.
A espécie possui uma glândula ensacada acima do órgão sexual – presente apenas nos machos maduros. Após a secagem, sua secreção torna-se um material granular, escuro e aromático. As glândulas secas são chamadas de musk pods (“vagem de almíscar”) e os grânulos internos, musk grain (“grãos de almíscar”).

Desde o século XVI, o almíscar foi utilizado para fins medicinais na Ásia e na Europa. Quando a perfumaria descobriu seu potencial olfativo, a demanda cresceu drasticamente, levando o animal a um estado de grave ameaça, devido à caça predatória.
Na perfumaria tradicional, o almíscar era utilizado na forma de tintura – o célebre Musk Tonkin – obtida pela infusão dos grãos em álcool até a completa saturação.
Musk pod situado entre o umbigo e o órgão sexual (região pélvica) do cervo-almiscareiro.
O estudo do almíscar natural levou à descoberta de inúmeras moléculas almiscaradas. Um estudo recente identificou, nas glândulas de um cervo-almiscareiro da Índia, compostos como civetone, exaltone, iso muscone, velvione, dihydro-civetone, ambrettolide, entre outras.
Ao longo do século XX, a extração do almíscar tornou-se eticamente inaceitável e ecologicamente insustentável. Além do impacto severo sobre as populações de cervo-almiscareiro, a obtenção tradicional implicava a morte do animal. Por essas razões, o almíscar natural passou a ser rigorosamente proibido pelo CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas), sendo seu comércio internacional ilegal. O uso do almíscar animal foi completamente abandonado pela perfumaria moderna.
Hoje, na perfumaria industrial contemporânea, todas as matérias-primas de origem animal são reproduzidas de forma sintética em laboratório.
Os musks sintéticos desempenham um papel crucial: arredondam acordes, trazem corpo, prolongam a difusão e conferem notas limpas, macias e sensuais – além de tenacidade. Quimicamente, são classificados em 4 grandes grupos: macrocíclicos, policíclicos, alicíclicos e nitro musks.
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Por Pablo Lizárraga
Perfumista — Orsiliz Parfums
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